terça-feira, 24 de março de 2009

SETE PECADOS EM TI

SETE PECADOS EM TI
Quem não tiver pecado...
Carlos Altman e Frederico Bottrel

Atire a primeira pedra quem nunca cometeu um pecado. A frase de Jesus Cristo ao defender uma mulher do furor de seus algozes é algo tão atual como há milênios. Atire um computador pela janela quem nunca baixou um programa infectado pela internet. Verdade seja dita: tudo de ruim que acontece com o seu computador se deve aos sete pecados, digamos, high-tech. O Informátic@ foi à caça desses novos pecados (e também dos pecadores) e descobriu que eles povoam as residências e as empresas em proporção assustadora. 

Para evitar o "pranto e o ranger de dentes", conversamos com um daqueles "anjos" capazes de salvar a alma dos pecadores high-tech. O especialista em tecnologia da informação, Presleyson Lima, que coordena um departamento de service desk, passa o dia-a-dia socorrendo PCs maltratados em decorrência dos pecados alheios. "Somos nós, os profissionais de TI, que acabamos pagando esses pecados. Mas não podemos reclamar; é o que garante nossos empregos". Amém. 

1 - GULA 
Voracidade de downloads 

A gula é a mãe dos pecados high-tech e um mal reincidente. Se ninguém, como escreve Luis Fernando Verissimo, no livro de mesmo nome, consegue ficar imune a uma suculenta picanha, no mundo da internet é praticamente impossível passar batido diante do "saboroso" software MSN Messenger. Este é o primeiro de vários outros programetes consumidos diretamente da internet ou de um CD de instalação. 

Tudo começa com um inocente download do comunicador instantâneo e, aí, o faminto por novidades tecnológicas não para mais. São programas de fotos, ícones para personalizar a área de trabalho, papéis de parede com paisagens e descanso de tela em forma de aquário com peixinhos dançantes. É aí que mora o perigo. Os sites de programas gratuitos como Baixaki, Superdownload e Baixatudo viraram verdadeiras delicatessens de consumo para os que sofrem da gula. 

Foi o que aconteceu com o computador do professor Marcelo Athayde. Consumidor assíduo dos sites de downloads, Marcelo fica até tarde da noite baixando MP3. Também não consegue dormir sem antes se esbaldar em um delicioso game de RPG. Tanto consumiu que se viu com um problemão. "Minha máquina começou a travar de uma hora para outra. Perdi vários arquivos importantes, inclusive provas que tinha que aplicar no dia seguinte. Tento controlar a gula por novos programas, mas sei que vai ser difícil. Todo dia tem algo novo na internet que chama a minha atenção. Em um ano, precisei levar meu PC para o conserto três vezes. Não posso sofrer mais desse mal", desabafa. 

Para conter o hábito e resolver o problema, o especialista Presleyson Lima tem a dieta: É preciso se livrar das gordurinhas desnecessárias. Ele dá os ingredientes da receita: "Para saber a frequência de utilização de um programa, o Windows XP tem recurso chamado "Adicionar e Remover Programas". O similar do Windows Vista é conhecido como "Programas e Recursos". Ao clicar em cada software instalado, é informada a frequência e a data da última utilização". 

Presleyson ressalta que a utilização esporádica desse software não define se o mesmo é essencial para o usuário ou não. "Caso não seja, basta clicar no botão remover que é apresentado nessa ferramenta de análise na parte inferior de cada software listado. Para acessar, no Microsoft Windows XP, vá em Iniciar, Painel de Controle e em seguida clique em Adicionar e Remover Programas. No Windows Vista , vá em Iniciar, Painel de Controle e em seguida clique em Programas e Recursos. 


2 - IRA 
Caros ataques de fúria 

O relações públicas Anderson Gonzatto por pouco não jogou o computador pela janela no último ataque de fúria. "Odeio quando o computador trava justamente na hora que mais preciso. Tento resolver por conta própria, desinstalando programas, mas não resolve. Eu abomino computador lento e, quando trava então, quero atirá-lo para bem longe." 

Como Anderson, existem outros milhares de pseudo técnicos de plantão que sofrem do pecado da ira. Muitos acham que podem resolver sozinhos os problemas quando um computador para de funcionar. Baixam arquivos para melhorar o desempenho que, em vez de melhorar, só atrapalham. As reações de ataques de fúria são muito comuns. Registros deles estão em larga escala no YouTube para ninguém duvidar. Nos ambientes empresariais, os ataques ocorrem numa proporção menor, mas é dentro de casa ou em pequenas empresas que a ira se faz presente com muito mais fervor. 

Nesta hora não tem jeito mesmo. Acenda um incenso, conte até 100 e desligue o computador A culpa de ele não estar funcionando não é da pobre máquina indefesa. Não adianta quebrar tudo o que estiver pela frente em mil pedaços, pois o ataque de fúria vai lhe custar caro. 

"Não serão as agressões físicas ou verbais ao equipamento que vão solucionar o problema. As várias combinações de socos e pontapés no PC prejudicarão o funcionamento e, muitas vezes, gerarão danos irreparáveis. No fim das contas você terá que desembolsar uma boa quantia para solucionar os problemas adicionais", alerta Presleyson. Outra sugestão dele: "Quando o Windows apresentar a famosa tela azul ou demonstrar algum comportamento anormal, é a hora de solicitar manutenção de um técnico qualificado". 


3 - LUXÚRIA 
Cuidado com os sites que grudam 

Para muitos, a luxúria não é vista como um pecado – não passa de uma válvula de escape e descontração para o estresse do dia-a-dia. Dentro dessa lógica, que mal há em visitar, de vez em quando, um site picante de mulheres envolventes e siliconadas? Se esse voyerismo for exercido no computador de casa, o mal é menor. Quem vai arcar com as consequências é somente o usuário. Mas, se a prática é no local de trabalho, o problema é sério. A rede da empresa pode compartilhar uma Sodoma e Gomorra de todos os tipos de vírus e add-ons! 

Por pouco, o economista casado Roberto F. não entrou em uma fria daquelas. Depois de passar noites ardentes em um site pornográfico, viu-se em apuros. "Fiquei até 2h da manhã na internet, no computador da minha casa. Visitei sites inimagináveis. Quando fui visualizar um vídeo, meu computador começou a abrir várias páginas de sites pornôs e eu não sabia como fechar", relata. Ele conta que reiniciava o computador e, quando abria novamente o navegador, lá estavam as páginas. "Entrei em desespero com a bronca da minha esposa ao me pegar vendo aquelas páginas. Por fim, consegui desligar o PC e fui correndo a uma assistência técnica para retirar o spyware que se alojou em meu computador". 

"O acesso a sites de conteúdo adulto está entre os líderes no ranking de infecção por criminosos virtuais e requer dos usuários atenção redobrada", diz Presleyson. Segundo ele, há os que executam o vídeo no próprio site. Por isso, têm mais segurança, mas, mesmo assim, não estão livres de possíveis ameaças. "Os sites gratuitos que disponibilizam vídeos para downloads estão mais propícios à infecção devido à transferência do arquivo com o código malicioso", avisa. Nem por isso, os sites de fotos escapam, como ele explica: "Existem vários vírus que infectam os computadores por meio de arquivos de imagens, e um dos maiores meios de propagação é o correio eletrônico". É tomar cuidado para não cair em tentação e se livrar do mal. 

4 - VAIDADE 
Narcisos na web 

Neologismo típico dos últimos tempos, poser é palavrinha que define muita gente que se expõe em Fotologs, FlickRs e Orkuts da vida: aqueles que gostam de posar. Com a câmera na mão, um biquinho na boca e um espelho na frente, fazem o maior estrago. E publicam tudo na grande rede, para quem quiser ver. Manifestação pura da nova cara da vaidade, na era pontocom. Se outrora vovó vaidosa pendurava fotografias no espelho da penteadeira, a galerinha teen de hoje se joga (quase literalmente) na web. 

O advogado Régis Godoy não se considera dentro do perfil do poser típico, mas já viu suas fotos caírem em perfis falsos em sites de relacionamento, tradicional forma de pagar esse pecado. "Tinha no meu Orkut 12 shots do tempo em que eu era modelo. Roubaram as fotos e criaram páginas falsas. Pelo menos não usaram meu nome, mas era a minha imagem!", conta. 

Ele questiona os limites da vaidade on-line: "Será mesmo vaidade você tornar acessíveis imagens com as quais gostaria que as pessoas o associassem? Nenhuma das minhas fotos é sem camisa, por exemplo. São só fotos bonitas que quero compartilhar, e, atualmente, graças às inovações do Orkut, só com meus contatos". 

Esse é o ponto em que o próprio recurso pode ajudar o pecador, de acordo com Presleyson: "A maioria desses sites têm alternativas para os usuários, onde é possível habilitar opções, autorizar pessoas a visualizar os seus álbuns de fotos, deixar recados no mural e enviar depoimentos". Mas não é exatamente o paraíso, segundo ele: "Mesmo habilitando todas essas opções, nada impede que uma pessoa realmente mal intencionada copie suas fotos". Em termos de pecado, as pessoas são capazes de burlar qualquer cadeado do bem. 

5 - INVEJA 
Olho comprido no PC alheio 

Na era da superexposição, em algum momento alguém estará de olho em você. Os crackers estão aí para roubar informações como senhas de banco, arquivos confidenciais e até projetos profissionais para destruir ou passar para o concorrente. 

Inveja é um mal secreto. Ninguém afirma que comete esse pecado. O técnico de informática, que aqui vamos chamar de Eduardo, já criou muitos spywares para roubar as senhas de bancos e arquivos de uma empresa de São Paulo na área de engenharia civil. Hoje, garante que não faz mais isso. Viu que podia prejudicar pessoas que tinham pouco dinheiro guardado no banco. "Decidi parar quando percebi que o que fazia, a pedido de uma empresa, estava me afetando pessoalmente. Comecei a vasculhar o e-mail de minha namorada na época e conseguia descobrir todos os gastos dela com o cartão de crédito. Quando ela abriu uma conta no Orkut persegui seus passos dia e noite. Terminamos o namoro e decidi que não faria mais isso", confessa. 

Mas você não precisa ser um hacker ou cracker para vasculhar a vida alheia através dos sites de relacionamentos. Ou se apoderar de algo que não é seu. As senhas para acessar sites restritos e números seriais para legitimar a instalação de cópias ilegais de programas se espalham na internet feito praga. Basta querer para ceder aos apelos da inveja. Aos espertinhos que entram nessa viagem errada, o recado: "Ao acessar sites de crackers, você coloca o seu PC em risco de infecção proveniente de malwares ou criminosos virtuais. Ao usar números seriais de softwares crackeados, você não tem garantia de confiabilidade, disponibilidade de operação e não terá direito a suporte, às atualizações de segurança e novas funcionalidades que são disponibilizadas pelo desenvolvedor", avisa Presleyson 

6 - PREGUIÇA 
A amiga do computador travado 

Você tem um novo pacote de atualizações! Você deve rodar o antivírus freqüentemente! É bom ter cuidado ao baixar softwares e arquivos da web! Se alertas como esse provocam um generoso bocejo, bem-vindo aos domínios da preguiça. Consequência clara da gula, assim como no pecado tradicional em que, devidamente empanturrados, tudo que queremos é uma sonequinha. Aqui, a sonequinha dá lugar à negligência quanto aos hábitos fundamentais para a saúde do computador. 

A publicitária Nair Silva provou desse mal. Comprou um notebook com HD de 80GB e acreditou que esse número a livraria de preocupações com o espaço na máquina. A manipulação de imagens e outros arquivos pesados, além do uso da máquina para entretenimento, obviamente, pesou com o tempo. Ela confessa: "Sempre tive preguiça de ficar passando antivírus ou de ficar esperando aquela chatice de desfragmentador de disco. Fala sério; tem coisa mais torturante que aquelas barrinhas coloridas indicando a porcentagem do processo?". 

Para Nair, teve. O computador simplesmente travou. "Nem ligar, ele ligava. Surtou", conta. Resultado? Teve de sofrer uma re-educação, para evitar que o problema se repetisse. Ela admite que, às vezes, se rende ao pecado de deixar para depois a atualização, mas "não passa de uma semana". 

Presleyson aconselha uma medida prática para quem tem preguiça: delegar a parte chata da coisa, usando o agendador de tarefas, recurso presente no Windows. Ele recomenda programar as tarefas para os momentos em que o preguiçoso estiver longe do PC, como a hora do cafezinho, por exemplo: "Com o agendador, é possível informar qual o software a ser executado e sua periodicidade. Você pode incluir inúmeras ocorrências. Por exemplo, executar o desfragmentador de discos, todas as segundas-feiras às 17h, ou executar o antivírus todos os dias às 9h e assim por diante". 

Para acessar o recurso no Windows XP e Windows Vista, vá em Iniciar, Todos os Programas, Acessórios, Ferramenta de Sistemas e em seguida clique em Agendador de Tarefas. 


7 - AVAREZA 
Socorro online que não funciona 

O operador de computação gráfica Paulo Egídio se considera um mão-de-vaca quando o assunto é pagar para resolver algum problema de tecnologia. Ele só envia o computador para conserto quando não tem mais jeito. Sofre de avareza crônica. Acha que baixando programas gratuitos na internet vai sanar todos os problemas. "Tento a todo custo resolver, por conta própria, as panes no meu computador. Até a desmontar o computador já me atrevi. Não adiantou, perdi tempo, e, de quebra, dinheiro", diz. 

A avareza acomete quase todos os usuários de computador hoje. Com a variedade de softwares gratuitos disponíveis para baixar, ninguém quer saber se eles são confiáveis ou não. E a situação se agrava quando esses softwares milagrosos para eliminar o mal da lentidão do PC são divulgados no pior estilo boca-a-boca. O estrago passa a ser generalizado. 

A preocupação com ferramentas falsas de segurança é a principal questão quando o assunto é avareza, como exemplifica Presleyson: "Existem inúmeros downloads disponíveis para softwares gratuitos de segurança e antivírus falsos. Eles são instalados para obter o controle de qualquer página da internet e se infiltrar no PC. Podem até defraudar números de cartão de crédito, entre outras ações criminosas." 

Quanto a abrir a própria máquina, a recomendação é também taxativa: "Abrir o gabinete requer conhecimentos técnicos de manutenção. Ao realizar alterações nos hardwares internos, corre-se o risco de deixar o equipamento inoperante". Caso o PC esteja apresentando eventos anormais, boa opção é solicitar a visita de um técnico de informática ou enviá-lo para uma empresa especializada.
Sete pecados high tech

O Google está de olho em todos nós

Sábado, Dezembro 13, 2008

O Google está de olho em todos nós

Estamos sendo observados

O Google começou como um serviço de buscas na internet,
tornou-se a maior multinacional do mundo virtual e agora
mira na digitalização de todo o conhecimento e na
identificação dos hábitos de 710 milhões de pessoas


Paula Neiva, de São Francisco

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Quadro: A fatia do gigante


Quadro: A máquina de pesquisas


Quadro: Três megaprojetos para dominar o mundo

O que uma empresa pode querer depois de conquistar o quase monopólio em seu ramo de negócios? O Google tem uma resposta implacável: buscar ser ainda maior e atingir o domínio global em uma escala jamais vista antes em qualquer outro campo da atividade humana, seja político, seja militar ou cultural. É um delírio de grandeza? Longe disso. Pelo que já mostrou nos dez primeiros anos de vida, o Google, de longe a mais popular ferramenta da internet, tem a vontade e os meios de atingir seus objetivos. Um em cada nove habitantes do planeta, ou 710 milhões de pessoas, recorre a seu serviço de busca pelo menos uma vez a cada mês. São pessoas de todas as idades, níveis de renda, nacionalidades, etnias e religiões que têm em comum o fato de viver no mesmo planeta e usar o Google. Se todas se dessem as mãos, formariam um cinturão humano extenso o suficiente para dar 31 voltas ao redor da Terra. Em seu auge, nos anos 60, a General Motors, a maior empresa do mundo real e que hoje pede socorro ao governo para não fechar as portas, fabricava metade dos automóveis americanos. Pois o Google tem 71% do mercado de buscas on-line nos Estados Unidos. No mundo, tem 60%. Do restante, 20% é dividido igualmente entre o Yahoo! e o Baidu, o site mais popular na China, em idioma mandarim. Sobram apenas 20% para todos os demais concorrentes. O gigante quer mais – e seu modelo de negócio, que combina a ambição desmedida com uma visão generosa do mundo, favorece a expansão sem maiores resistências.

Em poucas palavras, o Google visa a digitalizar e a armazenar toda a informação do mundo de modo que ela possa ser utilizada gratuitamente por qualquer pessoa com acesso à internet. Em troca de serviço tão meritório, a empresa quer todos os dados que seus usuários possam fornecer sobre hábitos de consumo e, a partir disso, conquistar toda a verba de publicidade disponível na rede. Seus projetos são tão formidáveis em extensão e os custos previstos tão elevados que parecem ser desenvolvidos não por uma empresa, mas por um país. Recentemente, o Google associou-se a outras duas companhias para a instalação de um cinturão de dezesseis satélites, que ficarão fixados na órbita geoestacionária sobre a linha do Equador. O projeto, chamado de O3b (sigla em inglês de "os outros 3 bilhões"), vai oferecer internet de alta velocidade sem fio a 3 bilhões de pessoas que moram em países pobres ou em desenvolvimento, principalmente na África, e que não têm acesso à internet por completa ausência de infra-estrutura. Esse talvez seja o empreendimento que melhor encarna a paradoxal mistura de ambição e generosidade do Google. Esses "outros 3 bilhões" vão se tornar instantaneamente cidadãos digitais e, por mais baixa que seja sua renda, vão entrar no radar do Google e de seus anunciantes.

Divulgação

Clima de festa
Escritório do Google em Zurique : descontração no ambiente e mordomias como personal trainers pagos pela empresa

Outro projeto liderado pelo Google visa a triplicar a capacidade de troca de dados entre os Estados Unidos e o Japão com a instalação de 10 000 quilômetros de cabos submarinos de fibra óptica, ao custo de 300 milhões de dólares. Um terceiro projeto consiste em usar navios para abrigar parte dos servidores da empresa, que seriam alimentados pela energia gerada pelas marés e pelas ondas. O objetivo é melhorar o serviço em regiões com pouca infra-estrutura, com a vantagem de reduzir os gastos com impostos municipais e aluguel de imóveis.

A marca colorida do Google está em toda parte. A empresa se prepara para oferecer um serviço de fotos de alta resolução, feitas por satélites, de qualquer canto do planeta. Pretende colocar na rede o texto integral de todos os livros de todas as bibliotecas do mundo – inclusive edições esgotadas. Planeja se tornar o principal fornecedor de vídeos on-line. A compra do YouTube, em 2006, que tem 5 bilhões de acessos por mês nos Estados Unidos, foi o primeiro passo nessa direção. Também investe pesado na tecnologia celular. Seu pacote de programas é igualmente enorme, incluindo e-mail, agenda e processador de texto, em aberto desafio ao império da Microsoft. O império do Google é imbatível? Fizemos essa pergunta ao matemático e físico Vinton Cerf, que, antes de se tornar vice-presidente do Google, já estabelecera a reputação de ser um dos pais da internet. Cerf criou simplesmente o idioma comum e as regras através das quais todos os computadores da internet falam entre si e permitem que cada um deles tenha um número de identificação único enquanto estão plugados. Esse sistema é conhecido como TCP/IP. A resposta de Vinton Cerf é digna de um inovador: "O Google é líder de mercado por mérito. Mas é preciso lembrar que há apenas dez anos ele não existia. A internet mostra que tem fôlego para criar muitas oportunidades, pois continua sendo um ambiente aberto. O YouTube e o Skype surgiram do nada e se transformaram em grandes sucessos. O tamanho do Google nesse mercado não garante nada. Na verdade, isso nos coloca mais um desafio, pois é preciso investir sempre mais capital para que tudo funcione bem".

O Google já está no celular, na casa e no escritório. Mas a expansão se deu num ambiente econômico favorável. O que acontecerá agora que os indicadores apontam para baixo? Desde que a crise estourou, em setembro, o Google tem procurado seus clientes para explicar que a internet não é à prova de recessão, mas os anúncios on-line podem ajudá-los a resistir aos maus tempos. Para sustentar tal argumento, usa pesquisas que demonstram três tendências mundiais: a audiência crescente da internet, o aumento da confiança pública nas informações on-line e o crescimento do e-commerce. O Google detém 30% do faturamento com anúncios na internet nos Estados Unidos, o dobro do que tinha em 2004. Nesse período, seus principais concorrentes, Yahoo!, MSN e AOL, perderam participação no mercado. Mesmo em tempos de crise, as previsões para o mercado publicitário on-line são menos sombrias que para as demais áreas. De acordo com a consultoria americana eMarketer, especializada em mídia digital, o mercado de publicidade on-line nos Estados Unidos deve crescer 8,9% em 2009, mesmo com a recessão americana. Uma das vantagens dos anúncios on-line é que eles permitem saber, com precisão, quantas pessoas os viram e o que estavam lendo ou vendo na internet quando clicaram neles.

Fotos Jason Madara e Ben Margot/AP

Criadores e criatura
Os fundadores do Google, Sergey Brin e Larry Page: "É possível ganhar dinheiro sem fazer o mal". À esquerda, a todo-poderosa Nicole Wong: ela decide em que países o Google aceita se submeter às leis locais

Uma nova tecnologia só tem vida longa quando se torna indispensável. Para milhões de pessoas, uma sessão na internet começa pela caixa de diálogo do Google. Isso faz dele um tipo de gênero de primeira necessidade. O acesso fácil a um banco de dados jamais visto na história do conhecimento humano é definido pelo americano Brewster Kahle, fundador do site The Internet Archive, como "a biblioteca de Alexandria de nossa era". Essa é a melhor explicação para a espetacular escalada de sucesso do Google desde que foi criado, há apenas dez anos. A empresa nasceu num fundo de garagem, como um modesto serviço de buscas idealizado por Larry Page e Sergey Brin, dois estudantes de computação da Universidade Stanford, nos Estados Unidos. Em menos de cinco anos já era a maior ferramenta do mundo de buscas na internet, deixando para trás concorrentes como Yahoo! e AltaVista, que já valiam milhões de dólares quando o Google foi lançado. O site Google BookSearch já registra 7 milhões de livros publicados em formato digital. Até 2011, a empresa pretende oferecer 15 milhões de livros do acervo das maiores bibliotecas americanas e européias. Esse acervo, que não cessa de engolir novas aquisições, é, por assim dizer, a escada do sucesso. "O Google, como site, é entediante. A razão de ter se tornado uma das empresas mais bem-sucedidas e relevantes do mundo é o conteúdo formidável que ele acumula", disse a VEJA Brian Fetherstonhaugh, CEO mundial da OgilvyOne, agência especializada em publicidade digital, com sede em Nova York.

O sucesso arrebatador do Google deve-se, em grande parte, à eficiência do modelo matemático criado por Page e Brin, cuja capacidade de ordenar os resultados da pesquisa na página de busca mostrou-se superior à da concorrência. O Google mantém cópias do conteúdo de milhões de sites sobre os assuntos mais procurados. Essas cópias são chamadas de sites-espelho e servem para apressar o processo de busca. Para manter esse banco de sites atualizado, o Google pesquisa periodicamente o conteúdo de 1 trilhão de sites. O PageRank (ranking de páginas, um trocadilho com o sobrenome de Larry Page) avalia mais de 200 características de cada um dos sites arquivados no banco de dados da empresa. Entre os critérios estão: número de acessos ao site, quantos links ele abriga para outras páginas e há quanto tempo o site está no ar. A seguir, essas informações são cruzadas com o tema da pesquisa, de maneira a apresentar primeiro os sites mais confiáveis que combinam com as palavras-chave. Para efetuar esse trabalho, o Google conta com 1 milhão de servidores espalhados pelo mundo.

No Brasil, nove em cada dez pesquisas são feitas no Google. O seu site de relacionamentos Orkut também é enormemente popular no país. Segundo um estudo recém-divulgado pela consultoria comScore, os 21 milhões de brasileiros que acessaram o Orkut em setembro ficaram, em média, oito horas no site. A média de tempo gasto com o segundo colocado, o Fotolog.com, que não é do Google, foi de apenas 22 minutos. Em todo o mundo, um dos sites de maior sucesso do Google é o Google Earth, que mapeia a Terra por meio de imagens de satélites. O site é utilizado por 200 milhões de pessoas e está disponível em 23 idiomas, incluindo o português. As imagens cobrem 30% da superfície terrestre e já contribuíram até para descobertas arqueológicas no Egito. Recentemente, foram acrescentadas ao Google Earth imagens de 100 milhões de estrelas e 200 milhões de galáxias.

O Google é conhecido por sua peculiar cultura corporativa. Ela inclui uma atmosfera descontraída, quase caótica, em seus escritórios, com comida e outros confortos inteiramente grátis. A empresa considera que qualquer idéia que torne a experiência de acessar a internet mais útil, ou mais agradável, vale a pena ser desenvolvida. Daí a velocidade com que lança produtos e os tira do ar. Em geral, são lançados em versão beta, ou seja, ainda em estágio de desenvolvimento, e podem ter vida curta. Foi o que aconteceu com o Lively, concorrente do Second Life, programa em que se criam ambientes virtuais. Lançado com barulho em julho deste ano, foi sentenciado a desaparecer quatro meses depois. O Google permite a seus engenheiros dedicar 20% das horas de trabalho a projetos particulares. Bem, alguma coisa mudou nos últimos meses, pois a empresa vem sentindo o peso da recessão. Os engenheiros já foram avisados de que não terão mais à disposição grandes equipes – de até vinte auxiliares – para desenvolver um único produto. A possibilidade de aumentar até 75% o preço pago pelos funcionários para manter os filhos na creche da empresa causou uma onda de protestos nos corredores da companhia. Desiludidos, muitos pais foram pedir emprego na concorrência.

Em seus primeiros meses de vida, mesmo com um público crescente, atraído pela eficiência de sua busca, o Google enfrentou um desafio: o de descobrir como ganhar dinheiro. Page e Brin rechaçavam a idéia de que a publicidade interferisse no conteúdo. Não queriam banners, filminhos ou qualquer outro tipo de anúncio comum aos portais e sites tradicionais. Foi então que a empresa lançou um conceito que revolucionou a publicidade on-line: os links patrocinados, hoje responsáveis por 97% de seu faturamento, que foi de 16,6 bilhões de dólares em 2007. Os links para os sites de anunciantes aparecem na mesma página que o resultado das buscas, em colunas separadas. Só abre o site do anunciante quem quiser. O anunciante só paga ao Google se alguém clicar no link. O preço de cada clique é determinado por um leilão: aparece no alto o anunciante que oferece mais pelo espaço. Segundo a Razorfish, uma das maiores agências americanas de mídia digital, o anunciante paga, em média, por cada clique em seu link no Google, 88 centavos de dólar nos Estados Unidos– o preço mais alto do mercado. Como não existe um valor mínimo fixado, não há restrições para o tamanho do anunciante. Pode ser tanto uma grande rede de supermercados quanto a padaria da esquina. Estimativas informam que até 30% do faturamento do Google vem de clientes pequenos, que provavelmente não conseguiram anunciar em outro meio de grande audiência.

Essa mesma estratégia é usada para cooptar parceiros e ganhar dinheiro também fora de sua página principal. Sites como o do jornal americano The New York Times cedem um espaço dentro de sua página para os links patrocinados do Google e, caso o leitor clique em um deles, o valor pago ao Google é dividido com o dono do site que o hospeda. Nos dois casos, a grande jogada da publicidade do Google é associar o conteúdo do anúncio ao tema da pesquisa. Quem procura informações sobre relógios verá links patrocinados relacionados a esse assunto. A seleção dos links patrocinados que aparecem no resultado da busca também se baseia no histórico de buscas feitas a partir de cada computador. Se quem usa o computador costuma acessar sites sobre carros e digita a palavra "golf", os links de anúncios serão do modelo da Volkswagen, e não do esporte que fez a glória de Tiger Woods. Esse recurso é possível porque, graças à invenção de Vinton Cerf, os computadores deixam seu IP gravado nos servidores que visitam. Além disso, para ter acesso à maioria dos serviços gratuitos da rede, os servidores exigem que os computadores dos clientes aceitem cookies, ou "biscoitos", o sugestivo nome dado a pequenos arquivos que capturam informações dos usuários, como as páginas que ele visitou ou quanto tempo passou em cada uma. Esse tipo de informação, fornecido por 710 milhões de pessoas por mês, dá ao Google um conhecimento extraordinário e inédito. No fundo, seu valor como empresa se deve principalmente a isso.

Toda a estratégia da empresa visa a ampliar sua capacidade de saber mais sobre mais gente em todo o mundo – e em tempo real. Não por outra razão, o Google quer liderar uma solução emergente na internet, conhecida como cloud computing, ou "computação nas nuvens". O neologismo surgiu com a dupla circunstância do investimento acima do necessário feito por empresas na capacidade de estocagem de dados digitais e a extraordinariamente rápida, eficiente e invisível interligação entre os computadores que guardam essas informações. Com muito espaço ocioso e capacidade de processamento de sobra, empresas como a Amazon, a Microsoft e a IBM decidiram "alugar" parte de seus computadores para outras empresas não tão dispostas a investir em máquinas e manutenção – mas com acesso rápido à rede. Por não se poder precisar exatamente em que servidor físico estão sendo estocados os dados ou rodados certos programas, convencionou-se dizer que isso ocorre "nas nuvens". O cloud computing ajuda a cortar custos com as constantes e inevitáveis atualizações dos equipamentos. E o Google está se posicionando para liderar esse novo serviço de internet.

"É possível ganhar dinheiro sem fazer o mal" é o mantra da empresa. Mas os temores quanto ao crescimento exponencial do Google e de seu banco de dados foram expostos em dezenas de livros que se publicam sobre a empresa, em sites e blogs. Uma amostra do poder que se concentra nas mãos do Google está nas atribuições do conselho jurídico do portal, coordenado pela advogada Nicole Wong. Cabe ao departamento decidir o que pode ou não ser exibido nos diversos sites do portal Google em cada país. Wong conduziu a negociação com o governo da China em que o Google aceitou bloquear, naquele país, buscas que a ditadura comunista considera indesejáveis, como referências à independência do Tibete. É o caso mais notório de uma concessão ao "mal". O Google tentou sanar a repercussão negativa batendo o pé do outro lado do mundo. Recentemente, o governo turco ordenou aos provedores de internet locais que bloqueassem o acesso ao YouTube por causa de vídeos que considerou ofensivos ao país. Wong propôs um acordo que consistia em bloquear o acesso a esses vídeos na Turquia. O governo não topou. Disse que queria o acesso aos vídeos bloqueados em todo o mundo. O Google se recusou a fazê-lo, alegando que um governo não pode estabelecer limites para a liberdade de expressão no mundo inteiro. Até a semana passada, os turcos permaneciam impedidos de acessar o YouTube.

O mais revelador nesse episódio é o tamanho do controle que o Google tem sobre os resultados das buscas e tudo o mais que existe em sua gigantesca teia de serviços. Wong e seu time escolhem o que pode ser exibido em serviços do portal como o Blogger, que abriga blogs, o Picasa, site de compartilhamento de fotos, e o site de relacionamentos Orkut. A norma é retirar o conteúdo que seja proibido em determinado país – sites nazistas na Alemanha, por exemplo –, mas manter esse conteúdo aberto para o resto do mundo. Considerando-se a tremenda audiência de todos esses componentes do complexo Google, a equipe de Wong tem mais controle sobre o universo das informações na internet do que qualquer outra pessoa ou empresa. De muitas maneiras, é a materialização do Big Brother, o sistema eletrônico que a todos espiona em 1984, o magnífico libelo contra o totalitarismo do inglês George Orwell. Talvez sem a mesma maldade (para usar a expressão preferida do Google), mas com igual potencial para o monopólio da verdade. Por definição, são ruinosos os monopólios e os impérios – como o romano, que também foi um generoso distribuidor de civilização e avanços tecnológicos em seu tempo. A cultura, a informação e o pensamento humano só avançam mesmo com liberdade e diversificação.

Design brasileiro no logotipo

Mabel Feres

Me ajuda, professora
Ruth Kedar: ela lecionava em Stanford quando um aluno, Larry Page, fundador do Google, lhe fez a encomenda

O logotipo com seis letras coloridas do Google foi criado por uma brasileira, a designer Ruth Kedar, nascida em Campinas, São Paulo, e radicada nos Estados Unidos desde 1985. Há nove anos, Ruth lecionava desenho gráfico na Universidade Stanford, na Califórnia, quando foi contatada por um aluno, Larry Page, um dos fundadores do Google. Então um ilustre desconhecido, Page lhe pediu que criasse uma marca para a companhia recém-fundada. "Pensei em cores alegres, que remetessem à satisfação em descobrir coisas novas", lembra Ruth. Ela não revela quanto recebeu pela criação, mas estima-se o valor em 15 000 dólares. O nome Google é um trocadilho com o termo matemático googol, que significa o número 1 seguido por 100 zeros. Foi escolhido por representar o objetivo da empresa, de organizar uma quantidade virtualmente infinita de informações. A marca do Google é tão forte que a empresa se permite brincar com ela nos chamados doodles (rabiscos, em inglês) que aparecem em datas especiais (veja alguns deles nesta página).

Comemoração da Independência do Brasil

Inauguração do acelerador de partículas LHC
Abertura da Olimpíada de Pequim
Aniversário de cinqüenta anos dos brinquedos Lego
Homenagem ao pintor francês Claude Monet
Desenho vencedor do concurso infantil "Crie um logotipo para o Google"

Postado por Artigos às 10:19 AM 
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A morte do computado

A morte do computador
Charge de Gerson Kauer

O advogado de 76 anos, inconformado com a demora em um inquérito policial que ele acompanhava em nome de seus clientes, deu seis tiros no computador de uma delegacia de pequena cidade do Estado do Pará. O profissional foi preso em flagrante, por danos ao patrimônio público, porte ilegal de arma e por colocar em risco a vida de terceiros. 
 
O delegado escutou a alaúza e firmemente questionou o advogado:"tá louco, doutor?"
 
'Matei o computador porque ele não estava me respeitando. Não tive outra saída. Com sua inércia e a omissão, essa ´josca´ estava trabalhando para os bandidos" - explicou-se o advogado que, mesmo assim, foi preso.
 
Recolhido ao quartel da Polícia Militar na capital (Belém), o advogado recuperou a liberdade dois dias depois, graças a uma liminar. Formado o inquérito, depois em Juízo, foi ouvida uma testemunha presencial.
 
- O doutor chegou na delegacia e insistiu para que fosse apressado um inquérito que apura a invasão de um condomínio de evangélicos. Respondi que não poderia agilizar, porque nosso único computador estava travado e o conserto ainda não tinha sido autorizado pela Secretaria da Segurança - contou o escrivão de polícia.
 
O policial prosseguiu:
 
Depois de alguns palavrões contra Bill Gates, o advogado atirou várias vezes no monitor e reservou a sexta e última bala justamente para o computador, que estava embaixo da minha mesa - complementou o agente.
 
Em transação penal, o advogado concordou em pagar cestas básicas e em ressarcir o Estado, a quem entregou computador e monitor de primeira geração - espécimes do que tinha de melhor qualidade na única loja de eletrodomésticos da cidade. Foi designada audiência para a formalização dos atos.
 
Após as formalidades, o juiz consolou o causídico ante o desembolso que ele recém tivera:
 
As cestas básicas vão aplacar necessidades de pessoas humildes. E o novo computador vai permitir que suas solicitações sejam atendidas com mais presteza na delegacia - comentou o magistrado.
 
O advogado firmou a ata da audiência, engoliu em seco, deu boa tarde, retirou-se e nunca mais foi visto na comarca.
 

10 maiores tendências de TI para 2009

10 maiores tendências de TI para 2009

Discutir sobre tendências em um mundo digital em constante ebulição não é uma das tarefas mais fáceis. Longe de efervescentes previsões futuristas anatingíveis, mais inerentes à "astrologia", na mesma proporção que longe de exaurir as tendências em 2009 ou esgotar a lista de evoluções, o presente artigo elenca as 10 maiores tendências da Tecnologia da Informação previstas para se concretizarem ou alavancarem em 2009, e revela um norte às empresas e profissionais da área no que diz respeito às 10 áreas relacionadas: governança, infra e rede, conectividade, carreira, conceito, linguagem de programação, humanização da ti, regulatório, operações, comportamento e webmarketing.

1 - Governança: TI VERDE IEC ESPM QM 08000s

A Ti Verde vai revolucionar o mundo de TIC, responsável por 3% da poluição mundial. A Governança "Verde" norteará os projetos e processos em ti, que deverão ser reformulados para atender os novos padrões impostos pela "Green Wash". Surgirão as primeiras certificações de Gestores de TI com especialização em projetos verdes (GIM - Green IT Managment). Quanto às empresas, buscarão além da certificação ISO 14001, a novíssima certificação européia IEC ESPM QM 08000 para atender aos padrões da ROHS (Restriction of Certain Hazardous Substances), que estabelece regras para o uso de substâncias perigosas em produtos eletro-eletrônicos, bem como o total compliance com a norma WEEE (Waste Electrical and Electronic Equipment), que trata da disposição do lixo tecnológico.

2 - Infra e Rede: IPV6

340.282.366.920.938.463.463.374.607.431.768.211.456. Este pode ser o seu novo endereço IP!O famoso 4 x 109 não mais atende as necessidades da Internet no Mundo. 4 bilhões de endereços IP já não é suficiente. O IPV4 está mais próximo do fim, segundo analistas, não passa de 2012. Não significa o fim do TCP que está na camada de transporte, mas a introdução do IPV6 na camada de rede, atuando em conjunto com o ipv4 até o fim deste. O IPV6 vem com diversos atrativos como qualidade do serviço para streaming e VOIP (um tendência concretizada em 2008) e principalmente mobilidade. Esqueça IP como sendo os tradicionais "quatro octetos" ou "oito hexadecimais" e passe a pensar ip com no mínimo "oito octetos". E o que isso muda no mercado de TI? A necessidade de profissionais especializados para a gestão da nova rede e integração com os sistemas operacionais. Bom mercado à vista. No Brasil o Comitê Gestor Internet no Brasil intensifica a educação sobre o uso do IPV6, onde já é possível estudar sobre o assunto emhttp://ipv6.br/.

3 - Conectividade: BPL

Surgirão os primeiros cronogramas sobre a implantação da Internet pela Rede Elétrica no Brasil (BPL do Inglês - BroadBand over Power Lines). Um batalha judicial poderá ser travada entre usuários de rádio amadores e Anatel. Ainda, especula-se que tal tecnologia possa interferir no controle de tráfego aéreo e marítimo. Outra batalha será a regulatória: ANATEL OU ANEEL? Quem dita as regras para o serviço? Como as teles atuais poderão sobreviver à onda de companhias elétricas que agora oferecem internet e faturam na conta de luz? Consultas públicas deverão ser realizadas. A BPL será oferecida com a bandeira da "inclusão digital", já que onde chega energia, chegará Internet e com uma velocidade de até 40 mbps. Eletrodomésticos passam a ser vendidos com suporte BPL e isto pode auxiliar a difusão da TV Digital e interatividade de retorno. Profissionais de Engenharia Elétrica e Engenharia da Computação terão um excelente mercado. Os famosos "gatos de energia" aumentarão, e serão tipificados pelo delito de "furto", já que a tal "energia" traz em si a internet que tem relevância econômica.

4 - Carreira: ITIL V3 e SCRUM

A certificação na biblioteca de boas práticas britânica ITIL (Information Technology Infrastructure Library) continua sendo uma "pérola" na hora da contratação de CIOS e Gestores de Tecnologia da Informação. A Gestão "com foco no cliente" e primando pela qualidade dos serviços de ti é a tônica para as corporações em 2009. Nada oficial mas especula-se que o bridge V4 para os certificados atualizará os livros com "conceitos verdes", proporcionando uma gestão não só focada no cliente, mas no ambiente. Em paralelo, cresce a procura pelo profissional certificado SCRUM (Scrum Master), que contrário ao PMBOOK, onde a gestão é de projetos em geral, o framework SCRUM (Gestão de projetos ágeis) é focado em projetos e ciclo de produção de Softwares. Ao que se prega, ao contrário de um profissional PMP, um Scrum Master não planeja, instruiu o direciona, mas simplesmente lidera, em um "jogo" onde a velocidade é igual a satisfação do cliente. Teremos versões nacionais das certificações da Scrum Alliance (http://www.scrumalliance.org/).

5 - Conceito: CLOUD COMPUTING e VIRTUALIZAÇÃO

Elegemos Cloud Computing como o conceito chave da Internet até o primeiro semestre de 2009. Dentre as estruturas de suporte ao conceito, é inegável que a virtualização é a principal, seguida do chamado "Grid Cumputing" (O Compartilhamento de PCs e de Processamento), como no projeto SETI@Home (Search for Extraterrestrial Intelligence), onde centenas de pessoas compartilham seus computadores para a pesquisa. Já com relação às aplicações da Cloud Computing, os que mais chamarão a atenção são os chamados "Sistemas Operacionais Remotos", operados de terminais burros, como o GHOST Virtual Computer (http://g.ho.st/) e o Goowy (http://www.goowy.com/). Docs, Suítes de Escritório e até mesmo ERPs virtualizados serão difundidos em 2009. Novos P-2-P voluntier systems surgirão como alternativa aos Bittorrents (protocolos). O termo "Cloud Computing" foi objeto de tentativa registro por parte da DELL em julho de 2008 (U.S. Trademark 77,139,082), mas foi cancelado no mês seguinte: Se assim não fosse, o Google teria que pagar uma indenização milionária à DELL. Como tecnologia emergente a virtualização fará com que a demanda pelo profissional especializado cresça, bem como por profissionais responsáveis por trilhas de auditoria e segurança da informação nas nuvens.

6 - Linguagem de Programação: RUBY ON RAILS (RoR)

2009 será o ano do CMS, content management system, template engines, produtividade sustentável e desenvolvimento ágil. Embora o Ranking da TIOBE Programming Community Index for November 2008, (http://www.tiobe.com/index.php/content/paperinfo/tpci/index.html), ainda aponte Java mantendo a ponta da tabela com o índice de popularidade, a família Visual Studio.NET (4o. na tabela) ainda é a preferida para empresas multinacionais e financeiras que necessitam de compliance com normas e contratos de responsabilidade, em conjunto com o Banco SQL Server ou Oracle. Por outro lado, o PHP aparece na cola em 5o. lugar em novembro de 2008, este sendo o representante fiel da "long tail" da programação, sendo preferido por clientes de pequeno e médio porte, que não podem pagar por licenças ou que não possuem regulamentações rígidas. A disputa entre os Bancos de Dados para PHP fica entre Mysql e Postgree, sendo o segundo ganhará mais adeptos em 2009. A curva de aprendizagem destas linguagens vem sendo fator de decisão dos CIOS, que as preferem ao Java e C por exemplo, considerando o fator tempo em um projeto. Destaque para o Python que não para de subir no ranking e pode representar bons negócios em 2009. Programar "sem saber de programação", digamos assim, é a onda de 2009, como por exemplo, atualizar e gerenciar conteúdo de sites sem editar uma linha do html, por meio do Joomla (http://www.joomla.org/) um gerenciador (wiki) de conteúdo de sites escrito em PHP que passará a ser a preferência dos desenvolvedores web em 2009. Destaque também para o projeto TinnybutStrong (http://www.tinybutstrong.com/) um dos programas (bibliotecas) que anunciam a era dos "Templates Engines" ou "Simplificadores de programação" em 2009, onde se pode programar sem saber uma linha de programação. Mas o destaque principal para o framework que mais crescerá em 2009, vai para o "Ruby on Rails" (RoR), um misto de perl e phyton 100% orientado a objetos, freeware, e que promete ser um ambiente para quem não tem tempo a perder, como por exemplo, a pregação "criando um blog em 15 minutos" (http://www.rubyonrails.pro.br/apresentacoes). Na programação Móbile de 2009, o Android vai incomodar o J2me (http://code.google.com/android/), eis que muitos dispositivos móveis terão o sistema operacional e conseqüentemente, a comunidade opensource irá desenvolver em tal framework. O Acesso à Applications, APIS, e Webservices serão mais difundidos pelos Google e empresas 2.0 à comunidade de desenvolvedores.

7 - Humanização da TI: POWERSET

O Processamento da Linguagem Natural (PLN) e a Websemântica anunciam seus protótipos ao mundo digital. A W3C intensifica um modelo global de partilha de conhecimento por intermédio de máquinas. A tecnologia ? Logicamente, XML (Extensible Markup Language) e RDF (Resource Description Framework) Sistemas computacionais capazes de compreender a linguagem falada e escrita continuam em ágil aprimoramento. Programas para acessibilidade ganham destaque na Internet como o DOSVOX (http://intervox.nce.ufrj.br/dosvox/), que possibilita o uso da informática por cegos. O Maior destaque fica para o Powerset (http://www.powerset.com/) primeiro mecanismo de busca a utilizar a utilizar a PLN em larga escala, que crescerá no primeiro semestre de 2009. o Google, embora resista a idéia de pessoas ficarem "fazendo perguntas" ao buscador, será forçado a implementar módulos de humanização e semântica caso não queira perder sua vasta parcela. Outro conceito que cresce nos buscadores é da "Personalização", onde o destaque será para o Google Search Wiki, que permitirá ao usuário subir ou descer resultados em seu "ranking pessoal".

8 - Regulatório: LEI DE CRIMES DE INFORMÁTICA

É no mínimo "truanesco" que 2009 termine sem a promulgação da Lei de Crimes de Informática. Recentemente foi aprovado o PLS 250/2008 contra os crimes de Pedofilia na Internet e a tendência natural é que o PL 89/2003 (antigo 76/2000 - que cuida dos crimes digitais), já aprovado no Senado em julho de 2008 seja enfim promulgado e entre em vigor no Brasil. O número de crimes eletrônicos continua a crescer em 2009 e foca suas atividades para a telefonia móvel e redes wi-fi. No entanto, no início da vigência da Legislação, muitas pessoas serão incriminadas por atos praticados por terceiros ou sem mesmo saber que a conduta praticada era considerada criminosa. Os provedores passam a ser obrigados a preservar dados de usuários e conexões por 3 (três) anos, sob pena de multa que varia de R$ 2.000,00 à R$ 100.000,00 por requisição não cumprida. A Lei gera polêmica e cria movimentos contrários, como os que pregam a "auto-regulamentação" da rede e a lei como empecilho à liberdade de expressão e inclusão digital.

9 - Operações: SAAS

A disponibilização de Software como Serviço crescerá em 2009. Os grandes ERPs concentrarão esforços para criarem a plataforma ou assim oferecerem serviços. Além der ser estratégia verde, poupar energia, custos de implantação e aproveitar a capacidade de processamento de computadores, o SAAS passa oferecer uma nova ótica para precificar um software, o ROI (Return of Investiment) e o valor agregado ao cliente. Métricas como APF (Análise de Pontos por função) ou SLOC (Contagem de linhas lógicas ou físicas) não mais refletem a realidade do valor de um projeto de software ou da cessão de códigos fontes, sendo que novas abordagens paramétricas passam a integrar a lista das consultorias como a preferida pela Microsoft, a TCO (Total Cost of Ownership ou Custo Total da Propriedade), que contempla todos os valores envolvendo aquisição de produtos, instalação, impantação, suporte, treinamento, etc. Segundo a Gigante citada, o TCO de seus produtos é menor que o dos Softwares Livres.

10 - Comportamento e Web Marketing: SEO 2.0 e I-DOSER

O Termo é controverso e não aceito. Para alguns trata-se apenas de SEM (Search Engine Marketing), mas para uma minoria crescente, uma atualização dos conceitos de otimização de sites, que vem a atender as necessidades de mudanças impostas pelo Google, como a "personalização", anunciada pelo SearckWiki e que relativisa todos os estudos realizados sobre PageRank. Passa-se a raciocinar o SEO "orientado a usuários". Se já foi difícil identificar fatores que influenciam o posicionamento das páginas, que sempre foram guardados a sete chaves pelos sites de busca, 2009 será o ano de novas práticas e estudos em busca do mapeamento das alterações trazidas. No que cerne à comportamento, 2009 Intensifica a era da Mobile e IPTV, como o "OneSeg". Cresce a demanda pelo entretenimento digital e conteúdos "on-demand", o que faz com que os produtos web sejam focados não em tecnologia, mas em experiências.

O Destaque fica pela polêmica experiência I-doser (http://www.i-doser.com) a chamada "droga virtual", que passará a integrar dispositivos móveis e poderá ser transmitida viaM2M (Mobile-to-Mobile), graças às novas tecnologias RFID (Radio-Frequency Identification) e wireless que integrarão a linha de dispositivos do próximo ano. Por meio do RFID, as pessoas serão identificadas em lojas (M-Payments), locais públicos, privados e eventos, o que chamará a atenção de crackers que explorarão a tecnologia para capturar informações e para a prática de golpes. No campo das enciclopédias da rede, o Monopólio da Wikipedia passa a ser ameaçado pelo projeto do Google Knol (http://knol.google.com/k), que explorará a decisão da "concorrente" de limitar sutilmente a liberdade de publicação de conteúdos, atualmente restrita ao que chama de "grupos confiáveis".


quinta-feira, 21 de agosto de 2008

TRABALHE SEM HD

Espaços de trabalho virtuais


José Antônio Ramalho infotec.em@uai.com.br

Reprodução de T/Microsoft Office Live Workspace
Microsoft acredita tanto no conceito de espaço de trabalho virtual, que, mesmo em fase de testes, já o introduziu em seu pacote Office
Ter arquivos de trabalho ou pessoais disponíveis a qualquer momento e em qualquer lugar é algo que se torna mais freqüente para usuários de computadores. O conceito de espaço de trabalho virtual cresce rapidamente com a sua implementação por diversas empresas. Um espaço de trabalho é um local on-line onde você pode salvar, acessar e compartilhar documentos e arquivos. Você pode usá-lo para agrupar informações relacionadas ao trabalho, escola ou projetos pessoais. A Microsoft acredita nesse conceito a ponto de ter implementado, ainda em fase de testes, seu espaço de trabalho para usuários do pacote Office. Trata-se do Office Live Workspace. Por meio do site workspace.office.live.com/. Você só precisa de uma conexão com a internet, um navegador da web e um Windows Live ID com uma caixa de entrada de e-mails válida. O Office Live Workspace funciona com a maioria dos navegadores mais usados. Se você já é usuário do Messenger ou Hotmail, já tem os requisitos necessários. Seu espaço de trabalho tem 500MB de armazenamento, isso significa que você pode salvar mais de mil documentos de tamanho médio do Microsoft Office. Cada documento pode ter até 25MB. Compartilhar é fácil: tudo o que você precisa é do endereço de e-mail de uma pessoa para convidá-la a entrar em seu espaço de trabalho. Você decide se as pessoas podem editar ou somente revisar arquivos. O seu espaço de trabalho pode ser acessado de qualquer computador com uma conexão à internet e um navegador da web. No momento, o serviço está disponível em português, holandês, inglês, francês, alemão, italiano, japonês, coreano, polonês, russo, espanhol e chinês tradicional. Com o tempo, mais idiomas estarão disponíveis. Todos os arquivos contam com proteção contra vírus do Microsoft Forefront Security para SharePoint e eles só poderão ser acessados com um Windows Live ID e uma senha. Você controla quem pode ver, comentar e editar os documentos. Na primeira vez que entrar no site e fornecer seu Live ID e senha, você deve concordar com os termos de uso do site. Na tela de trabalho padrão, você trabalha como se estivesse vendo um outro drive. Encontra os botões Add Documents, para fazer o upload de documentos que estão na sua máquina para o espaço de trabalho, e os botões Delete e Move, para fazer a manutenção do espaço. O botão New permite criar novos documentos do Office diretamente no espaço de trabalho. O site também pode ser integrado com o próprio Office se ele estiver instalado na máquina em que você está acessando o spaces. Embora possa ser usado como um simples disco virtual para armazenar arquivos, o site oferece aos usuários do Office uma nova maneira de trabalhar com seus arquivos. É importante lembrar que, para editar on-line um documento, é necessário usar o pacote Office.


Fonte: O Estado de Minas-Caderno Informática-21/08/2008

terça-feira, 12 de agosto de 2008

CERTIFICAÇAO DIGITAL E CPF ELETRÔNICO

O uso da certificação digital ganha cada dia mais espaço nas práticas e do no dia a dia das empresas brasileiras. Com uma recente iniciativa conjunta do Serasa e outras entidades certificadoras 3,5 milhões de empresas devem receber a certificação digital até 2011.O certificado digital é uma assinatura eletrônica perante a Receita Federal na qual as empresas ganham um e-CPF Simples que facilita a declaração do Imposto de Renda, inclusive das empresas que tenham lucro presumido em real, coisa que antes só as médias e as grandes empresas já conseguiam.A partir deste certificado, a declaração do Imposto de Renda será feita de maneira mais rápida e eficaz. - As grandes empresas já utilizam desta ferramenta por conta de obrigações da própria legislação, como nota fiscal eletrônica e declarações - informou Igor Rocha Ramos, gerente de certificação digital do Serasa. De olho nos micro e pequenos negócios, um grupo de trabalho formado por ITI (Instituto Nacional de Tecnologia da Informação), Sebrae, Conselho Federal de Contabilidade, Receita Federal, Câmara-e.net e autoridades certificadoras lançou o e-CPF Simples, nova versão de certificado digital ICP-Brasil. Voltado exclusivamente para micro e pequenas empresas, o novo certificado digital será comercializado por R$ 155, com validade de um ano e ficará armazenado em um token (chave eletrônica que armazena os dados). O Serasa acredita que, com estes certificados, os micro empresários terão exatamente o que os médio e grandes têm, só que com um preço muito mais competitivo. As outras opções de certificados digitais ICP-Brasil disponíveis no mercado têm validade de dois e três anos e custam, respectivamente, R$ 280 e R$ 380.
Igor Ramos explica, contudo, que há também uma alternativa com prazo de validade de um ano, mas ela é armazenada no computador. Segundo ele, essa forma de armazenamento é mais crítica, não é tão eficaz quanto o token ou o cartão. A redução do custo foi possível porque parte da receita gerada com a venda dos certificados digitais para médias e grandes empresas será usada para subsidiar o e-CPF Simples. - Procuramos manter os preços dos certificados digitais atuais e negociar com fornecedoras de token. Chegamos a um cálculo de custo que nos permitia chegar ao preço final de R$ 155 - afirmou Ramos. O Serasa acredita que, quanto maior for o número de empresas que aderirem ao certificado digital, maiores serão as chances de redução dos valores cobrados pelos mesmos certificados. A entidade aposta que, em dois ou três anos, o potencial de uso do documento no mercado corporativo chegue ao fim e então o foco passará a ser o usuário final. Para aderir ao e-CPF Simples, as micro e pequenas empresas devem procurar uma autoridade certificadora, como Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, Sebrae, Conselho Federal de Contabilidade, Receita Federal e Câmara-e.net. Rocha ressalta que esta não será a única iniciativa do grupo de trabalho para fomentar o uso de certificados digitais por negócios de pequeno porte. Outra aplicação do certificado digital na vida das micro e pequenas empresas, além da facilidade para a declaração do IR, é a facilidade para obtenção de licenças para importação e exportação de produtos, máquinas e insumos. A Receita Federal exige o certificado digital para obtenção destas licenças. Por isso, o Serasa pretende realizar uma campanha de comunicação, em breve, para explicar às micro e pequenas empresas o que é o certificado digital e seus benefícios para o bom andamento dos seus negócios.

IMPOSTO DE RENDA AUTOMÁTICO

Daqui a dois anos, o governo brasileiro terá condições de oferecer a funcionários de alguns setores privados e a servidores públicos federais, estaduais e municipais a declaração do Imposto de Renda Pessoa Física já pronta. Caberá ao contribuinte concordar ou discordar do imposto já calculado. Nesse caso, ele deve fornecer as informações necessárias para a correção. Inspirado em um sistema implantado no Chile, o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) está desenvolvendo o processo no Brasil. Segundo o diretor-presidente do Serpro, Marcos Mazoni, para setores que já operam com a nota fiscal eletrônica (automobilístico, fumageiro e indústria farmacêutica), falta implantar a escrituração eletrônica, que deve começar a funcionar no próximo ano. “Queremos entrar no próximo ano com a escrituração eletrônica em operação. Isso vai substituir os livros de contabilidade das empresas e nos colocar em condições, pelo menos no mundo empresarial, de ter o Imposto de Renda pronto, como hoje ocorre no Chile. Isso é um trabalho de dois anos, porque atualmente já podemos oferecer para todos os funcionários públicos”, destacou. O contribuinte chileno recebe do governo a declaração do Imposto de Renda já montada, incluindo o imposto a pagar ou a restituir. Cabe ao contribuinte concordar ou discordar, apresentando o que realmente foi pago ou recebido. Isso é possível porque o governo tem informações sobre o que foi pago de imposto e sobre o que cada um recebeu, além de um controle sobre as movimentações patrimoniais. “É uma experiência inovadora, uma experiência em que podemos nos espelhar para melhorar a nossa”, afirmou Mazoni. No caso dos funcionários públicos, disse ele, seria preciso apenas sincronizar as bases de dados. “O Serpro já é responsável pela folha de pagamento. Também saem das máquinas do Serpro aquelas declarações de quanto cada funcionário recebeu por ano. Então, é possível fazer de forma direta e ofertar o imposto de renda pré-pronto. Quanto aos funcionário estaduais e municipais, é uma questão de sincronismo das bases de dados.” Mazoni destacou que, para o setor privado, a nota fiscal eletrônica e a escrituração eletrônica permitirão que se saiba quanto e a quem cada empresa pagou. No entanto, ainda é necessária uma articulação com cartórios para obter informações sobre a variação patrimonial. Quando a escrituração eletrônica estiver montada, será possível saber quanto as empresas pagaram às pessoas, explicou. “Ainda é necessário sincronizar os fluxos com cartórios. O quanto se pagou é fácil, a variação patrimonial é que é mais complicada.” O governo pretende ampliar a cobertura dos sistemas eletrônicos para outros setores privados da economia. “A nota fiscal eletrônica está em atividade, mas ainda está sendo implantada por segmentos. À medida que aumentam os segmentos abrangidos, vamos cobrindo mais as relações econômicas no Brasil. Estamos, desde o ano passado, com a nota fiscal eletrônica operando em segmentos bastante pesados. Então, já representa um volume grande”, destacou. Os sistemas para declaração do Imposto de Renda pela internet implantados no Brasil foram desenvolvidos pelo Serpro. Neste ano, 24 milhões de pessoas declararam sua movimentação pela internet num prazo de três meses. De acordo com Mazoni, se for considerando o número de pessoas que usaram o sistema, esse prazo pode ser considerado muito rápido. “A Itália, por exemplo, está se preparando para fazer isso no ano que vem, para atender a 7 milhões de contribuintes. O governo italiano imagina fazer esse atendimento em 12 meses”, comparou. Outra inovação é a opção que o contribuinte tem de testar o imposto, ou seja, as pessoas podem simular se preferem fazer a declaração pelo modo simplificado ou pelo modo completo e optar por pagar menos imposto. “Não se trata de ajudar as pessoas a pagar menos e sim de ajudar a pagar o que é justo. Com isso, aumenta a base de contribuintes, pois menos pessoas precisam fugir do imposto”, explicou Mazoni.
Fonte: Agência Brasil